29 de janeiro de 2009

Fórum social pede fim da devastação da Amazônia e apoio a índios

O Fórum Social Mundial manifestou sua solidariedade aos índios da Amazônia, protagonistas do primeiro dia de debates do encontro e que chamaram a atenção para o "desastre" que as indústrias provocarão devastando a floresta.

O primeiro dia de conferências do fórum na cidade de Belém foi dedicado quase integralmente aos problemas do maior pulmão verde do planeta, que, segundo dados de movimentos sociais, perdeu um quinto de sua extensão nos últimos 40 anos.

O que o Fórum Social Mundial batizou como "Dia Pan-Amazônico" começou com uma série de rituais de índios de Brasil, Bolívia, Equador e Peru, que ergueram tótemes na sede do fórum e invocaram a Mãe Natureza em meio a fumaças de incenso e milhares de ativistas.

Blanca Chancosa, representante da Confederação Nacional de Povos Quíchuas do Equador (Ecuarunari), pronunciou um emocionante discurso, no qual clamou pela "vida dos seres humanos, das plantas, dos animais, dos rios e da Mãe Natureza".

Segundo a líder quíchua, "a ciência está voltada para o desenvolvimento de tecnologias a serviço de empresas e esqueceu o ser humano", por isso é necessário "convencer os acadêmicos que o desafio hoje é salvar o planeta".

O fato de a capital do estado do Pará ter sido escolhida para sediar o Fórum Social Mundial conferiu ao evento um acentuado caráter ambientalista, ressaltado ainda mais pela presença de aproximadamente três mil índios de toda a América.

O peruano Miguel Palacin, porta-voz da Coordenadora Andina de Organizações Indígenas, denunciou que "as grandes multinacionais se expandem pelos territórios amazônicos e encurralam os povos autóctones", aos quais pediu que os ativistas se solidarizem.

"Não se trata apenas de salvar a Amazônia e os índios, mas de salvar o próprio planeta", afirmou.
O Greenpeace, que promove no Brasil uma campanha em defesa da Amazônia, se uniu a estas reivindicações e propôs a criação de um fundo internacional que permita que o desmatamento na região seja reduzido a zero até 2015.

No âmbito do fórum, sindicatos brasileiros divulgaram hoje um documento no qual também denunciam as duras condições de vida das 25 milhões de pessoas que vivem na Amazônia.
O texto destaca que a região "é a maior fonte natural do mundo para produtos farmacêuticos e bioquímicos", e que, além disso, possui uma enorme riqueza mineral e concentra cerca de 13% das reservas de água doce do planeta.

No entanto, ressalta que cerca de 70% dos habitantes da região "sofre com o desemprego, a criminalidade e outros graves problemas sociais".

Marco Aurélio Cabral, do Sindicato de Engenheiros de São Paulo, afirmou que "a economia da região está baseada na extração predatória dos recursos naturais e na substituição da mata por áreas de cultivos agrícolas".

O teólogo e ex-frei franciscano Leonardo Boff se uniu aos apelos dos ativistas e alertou: "Se as políticas para a Amazônia não mudarem, a agricultura e a expansão da soja e do gado provocarão uma vasta erosão do solo dentro de 30 ou 40 anos".

Boff, um dos promotores da Teologia da Libertação, disse ainda que, além da Amazônia, é necessário que seja revisado o modelo "consumista-capitalista" que está "enchendo o mundo de lixo".

Segundo o teólogo, "quase 90% de tudo o que se produz e se consome é supérfluo e responde a necessidades criadas pela cultura consumista, que transforma tudo em mercadorias" que depois "acabam no lixo, porque a lógica do sistema obriga que elas sejam substituídas cada vez mais rapidamente".

Depois deste primeiro dia de debates dedicado à Amazônia, o Fórum Social se prepara para receber amanhã o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus colegas de Bolívia, Evo Morales; Equador, Rafael Correa; Paraguai, Fernando Lugo, e Venezuela, Hugo Chávez.

Os cinco chefes de Estado participarão de um debate sobre a América Latina promovido por organizações do fórum. A mesa-redonda acontecerá num centro de convenções com capacidade para 10 mil pessoas.

Fonte: G1

28 de janeiro de 2009

Segundo maior parque brasileiro é reaberto na Amazônia

Parque Nacional do Jaú é maior que o estado de Sergipe

Área é reconhecida pela Unesco como patrimônio da humanidade

Ele fica no estado do Amazonas, banhado pelos rios mais bonitos da região, e acaba de ser reaberto. É o Parque Nacional do Jaú, no Amazonas, a segunda maior área de conservação do Brasil, atrás apenas do Tumucumaque, no Amapá. A maior parte dos visitantes, por enquanto, é de estrangeiros. Mas essa concentração de beleza tem tudo para conquistar os ecoturistas brasileiros.

Refúgio de bichos ameaçados de extinção, como peixe-boi e a tartaruga da Amazônia, o Jaú é destino certo para quem busca turismo contemplativo, estar próximo à natureza, observando a vida selvagem. O parque tem quase 30 anos, e protege uma área de de 2,2 milhões hectares de florestas totalmente preservada. A área é maior que o estado de Sergipe.

Trilhas por terra ou água levam a lugares surpreendentes. Em um trecho de 800 metros, o rio desce, formando corredeiras e quedas d’água. Na época mais seca do ano, de setembro a janeiro, surgem nove cachoeiras – um presente para os visitantes.

“Temos uma visitação média de 700 pessoas por ano, a maioria de estrangeiros. Consideramos pouco e temos vários estudos para ampliar a visitação, mas precisamos melhorar a infra-estrutura para turistas”, diz o administrador do Parque do Jaú, Alessandro Marcuzzi.

Não há hotéis no local. Os visitantes percorrem o parque em barcos alugados. Entre as atrações, estão as pinturas rupestres. Cultura e natureza fizeram a Unesco declarar o Jaú patrimônio da humanidade, bem de todos, que deve ser mantido para as futuras gerações.

A preservação passa pelo turismo, única atividade econômica permitida em um parque nacional. Com a reabertura do Jaú, no fim de janeiro, o turista John Harwood já planeja a viagem com os amigos, que estão chegando da Alemanha. “O ecoturista quer ver uma floresta que não está depredada. Está alerta para ver se tem madeira ilegal. Ecoturista é um bom aliado da natureza”.
Fonte: G1

27 de janeiro de 2009

Apreendidos R$ 14 milhões em madeira ilegal


Mais de 11 mil metros cúbicos de madeira ilegal foram apreendidos nesta terça-feira em Cujubim, município localizado a 160 km de Porto Velho, na operação Manejo Pirata realizada pelo Ministério do Meio Ambiente em parceria com a Polícia Federal e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama). Em uma semana, essa é a terceira operação que flagrou a atuação de madeireiros que cortam e vendem madeira que deveria vir de uma área de manejo licenciado pelo governo estadual mas, na verdade, são retiradas de áreas não autorizadas, como reservas florestais. A madeira apreendida pode ser avaliada em, aproximadamente, R$ 14 milhões.

Durante a operação, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, fechou a WD Madeira. Os donos estão foragidos. O curioso é que o empreendimento está localizado ao lado da Floresta Nacional de Jamari, onde foi realizado o único plano de manejo federal aprovado até agora. Com 220 mil hectares, 96 mil hectares da flona de Jamari foram licitados e divididos em três unidades de manejo florestal. A próxima concessão florestal para manejo será realizada em fevereiro.

– Ao lado do primeiro plano de manejo federal temos um manejo 171 – afirmou Minc. –Isso não pode acontecer porque senão o empresário que ganha a concessão para explorar legalmente vai se sentir um idiota trabalhando na legalidade, enquanto outros lucram explorando em suas áreas.
Doações - Cerca de 2.300 metros cúbicos da madeira apreendida eram de toras de faveira ferro, uma espécie nobre da Amazônia. O Ibama espera conseguir R$ 3 milhões com o leilão desse montante. O dinheiro será doado ao município de Porto Velho para a construção de pontes e casas. Os outros 9.200 metros cúbicos eram compostos por outras espécies nobres como ipê, maçaranduba, jequiti e angelim que, depois de catalogadas, também serão doados. O metro cúbico de algumas dessas espécies chega a custar R$ 500.

Segundo Minc, para combater esse tipo de crime ambiental é preciso criar uma economia florestal legal, baseada em um modelo sustentável. O ministro reconheceu a dificuldade do estado do Pará em fiscalizar os planos de manejo uma vez que “chegam mil pedidos de planos a serem instalados em áreas remotas com não mais de 20 profissionais, quando muito, para fazer a fiscalização”.

Para ajudar a equipe escassa, os documentos de origem florestal (Dofs) estaduais e federal serão integrados. Ainda segundo o ministro, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) está desenvolvendo um satélite para fiscalizar os terrenos de manejo.

– Depois do boi e da soja pirata, vamos combater o manejo florestal ilegal – garantiu Minc. – As pessoas precisam saber que o crime não compensa. Vamos moralizar porque o mercado não pode perder a confiança na exploração sustentável. Mas sabemos que não se resolve desmatamento só com polícia.

Fonte: JB Online

Começa o fórum social mundial na Amazônia

Índios, seringueiros, quilombolas e outros moradores da floresta estão entre as dezenas de milhares de participantes do 9º Fórum Social Mundial, que começa oficialmente na terça-feira (27), em Belém (PA). A primeira edição amazônica do evento, que visa discutir rumos alternativos para a ordem econômica e política mundial, terá forte presença de organizações locais.

Alguns representantes começaram a se dirigir à capital paraense há dias, em caravanas fluviais e rodoviárias organizadas em encontros regionais, os chamados “Encontros Sem Fronteira”, realizados em diferentes pontos fronteiriços da Amazônia, alguns deles em regiões tão remotas como o Alto Solimões e a zona da fronteira entre Brasil, Venezuela e Guiana.

A quarta-feira (28) foi denominada “Dia da Pan-Amazônia” e será dedicada a discussões, testemunhos e oficinas com temática regional. Na Tenda dos Povos Indígenas, que funcionará na Universidade Federal do Pará, serão discutirão temas como a demarcação de terras, projetos econômicos que afetam as comunidades e a preservação ambiental.

Pelo planejamento inicial do fórum, discutido dois anos atrás, a questão da Amazônia e os efeitos do desmatamento no equilíbrio ambiental seriam os principais eixos das discussões do evento. De lá para cá, porém, o cenário mudou e a eclosão da crise financeira internacional deve se sobrepor à questão amazônica, ganhando importância o debate de propostas alternativas ao modelo neoliberal que conduziu a globalização e acabou resultando na crise atual.

Além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, doze ministros devem participar dos debates com os movimentos sociais. Mesmo com a crise internacional como principal tema, entre os ministros brasileiros que vão à Belém não estão os principais responsáveis pela política econômica, Guido Mantega (Fazenda) e Paulo Bernardo (Planejamento), nem o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Fonte: G1

Governo intensifica combate à extração ilegal de madeira

Embalado pela redução de 82% no índice de desmatamento, no último trimestre de 2008, o governo federal intensificou neste fim de semana, em Sinop, no norte do Mato Grosso, o combate à extração ilegal de madeira. O Estado é campeão brasileiro de devastação da Amazônia e Sinop está bem no meio do chamado arco do desmatamento, linha que rasga o Brasil de Leste a Oeste, comendo a floresta pelas bordas, desde o Maranhão até Rondônia, passando pelo Sul do Pará, Tocantins e Mato Grosso.

Para intensificar o combate aos crimes ambientais, o governo lançou há um ano a Operação Arco de Fogo, com a participação da Polícia Federal, Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e de Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Força Nacional de Segurança Público. Neste fim de semana, as ações se concentraram na região de Sinop, que fica a 500 quilômetros de Cuiabá. Os fiscais lacraram três madeireiras na região que estavam sem licença ambiental. Para que voltem a funcionar, seus proprietários têm uma semana para entregar ao Ibama toda a documentação comprovando a legalidade das guias para extração de madeira.

Por determinação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, o Ibama e a PF definiram um calendário para intensificar ações conjuntas de repressão aos crimes ambientais desde o início do ano, antes mesmo do carnaval, período que os desmatadores tradicionalmente aproveitam para ampliar suas atividades. O ministro acredita que a queda vertiginosa no índice de desmatamento deve-se mais ao trabalho de fiscalização e repressão do que à crise econômica global e promete não dar trégua aos criminosos.

Fonte: O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2009

Estado do Amazonas tem saldo positivo contra aftosa

Cerca de 93 % do rebanho de 50 municípios do Estado do Amazonas foram vacinados durante a 2ª. Etapa da Campanha de Vacinação contra a febre aftosa que aconteceu em novembro do ano passado. O resultado foi repassado pelo médico veterinário do IDAM, Everaldo Zeni. Para atingir o restante do Estado, no período de 16 de fevereiro a 31 de março deste ano, vai acontecer a Agulha Oficial, com a participação do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas - IDAM, Codesav e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), precisamente nos municípios de Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués, Autazes, Careiro da Várzea, Careiro Castanho, Rio Preto da Eva, Parintins, Nhamundá, Manaus, Urucurituba e Itacoatiara.

A ação visa atingir 100 % do rebanho, com processamento georreferenciado das propriedades. Nesses municípios existem aproximadamente 530 mil cabeças, de acordo com dados do IDAM. Hoje o Amazonas possui quase 1 milhão e 500 mil cabeças de gado e está entre os principais Estados com maior índice de vacinação contra a febre aftosa.

Avaliação - Na avaliação do médico, o alto índice reflete o sucesso que o Amazonas vem tendo como região livre da febre aftosa desde 2004. Esses números positivos se dão em função do trabalho realizado pelos técnicos e dos treinamentos e cursos práticos para vacinadores e vaqueiros, promovidos pela Codesav/SENAR/IDAM.

No entanto, ainda falta compromisso de alguns criadores com o Programa de Erradicação, principalmente no que se refere a infraestrutura, uma vez que muitos locais não possuem condições adequadas para vacinar o animal. Cumprindo calendário estabelecido a nível nacional em maio acontece a primeira etapa da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa, versão 2009.

Fonte: Portal Amazônia

Artigo: A crise e o emprego público

Na segunda-feira passada, neste espaço, trouxe um esboço da perspectiva da dona-de-casa, cuja argúcia se manifesta diante das mais diferentes dificuldades e avulta agora, diante da crise econômica. A adaptação, porém, não é facultativa, mas compulsória. Todos terão que mudar o modo como lidam com o dinheiro.

O empresário Henry Macksoud, dono do famoso hotel Macksoud Plaza, de São Paulo, costumava repetir, em seu programa na Band ou nos artigos que escrevia para a revista “Visão”, que “O Estado é diferente da iniciativa privada porque não tem metabolismo e por isso não morre, não vai à falência”.

Discordo desse empresário, engenheiro civil e escritor, cujo sucesso é inegável. O Estado não fecha as portas e deixa de existir, como milhares de empresas o fazem todos os dias, é verdade, mas quando deixa de emprestar qualidade aos serviços necessários à vida em sociedade, como educação, segurança e saúde, está falido. Perde aquele pressuposto básico da popularidade, tão bem exposto por Abraham Lincoln (“Esteja bem com o povo e todas as coisas lhe serão permitidas”). Que governante poderá estar bem manietado, inerte, improdutivo?

É em momentos como o que vivemos quando o administrador sente o peso das despesas com a folha de pessoal ou com o custeio da máquina. Muitos devem se perguntar se os conceitos não mudaram e um enxugamento pragmático não se faz necessário.

Vejo com muita simpatia os 1,7 mil empregos diretos e os 2 mil indiretos gerados na obra da ponte sobre o rio Negro. É difícil um concurso público oferecer tantas vagas. Menos ainda se levarmos em conta o trabalho no Prosamim, de dimensão igualmente gigantesca, ou mesmo uma operação tapa-buracos emergencial, necessária à sobrevivência dos carros nas ruas de Manaus.
A crise contrapõe muito claramente o administrador “paizão”, que incha a folha, e o “realizador”, que contrata menos, diretamente, mas, paradoxalmente, gera muito mais empregos nas obras que empreende.

O prefeito de Manaus, Amazonino Mendes, parece ter entendido a lição, quando anuncia a meta de reduzir de 1,5 mil para 500 mil os cargos comissionados da máquina municipal. É daí que poderão vir os recursos capazes de fazer frente a desafios bem maiores que os buracos, hoje, disparado, a maior razão de reclamação na cidade.

O Brasil terá fartura de mão-de-obra disponível. O desemprego interno cresce. Mesmo os brasileiros residentes em outros países, principalmente nos Estados Unidos, estão voltando ao solo nacional. Bem ou mal, estudando ou trabalhando, eles acabaram se qualificando, convivendo com outra abordagem da coisa pública, misturando-se ao modo de vida norte-americano, aumentando o nível de respeito à cidadania.

O administrador consciente, porém, já sabe que essa gente terá que encontrar mais espaço na iniciativa privada e menos na máquina funcional. A lição de Lord Keynes, que venceu a grande depressão da primeira metade do século passado gerando empregos nas obras públicas, está aí para provar que é esse o caminho que melhor funciona.

Repito o que disse em artigo anterior. É possível fazer desse limão uma limonada e sair da crise com um Brasil mais organizado e mais preparado para atingir o sonhado desenvolvimento.




Rebecca Garcia
Artigo publicado no jornal Diário do Amazonas