12 de dezembro de 2009
10 de dezembro de 2009
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Grupo com Brasil tenta lançar novo texto em Copenhague até amanhã
A delegação brasileira na conferência de Copenhague está articulando com o chefe do principal grupo negociador na conferência do clima para tentar dissolver o impasse na negociação do novo tratado. A ideia é ter até esta sexta-feira (11) um texto que sirva de base à declaração final do encontro.
"Estamos trabalhando para destravar a negociação. Mas o texto não existe ainda", disse à Folha Luiz Alberto Figueiredo, embaixador brasileiro que é vice-chefe do LCA, grupo que discute as ações de longo prazo -entre elas o novo acordo.
Ele redige ao lado do chefe do grupo, o maltês Michael Zammit Cutajar, uma proposta bastante aguardada, pois foi solicitada pelos demais países na cúpula, diferentemente de outros textos que circulam. Embora uma sintonia plena não exista, a versão em preparação tenta captar posições de diferentes partes em vez de contrapô-las.
"A ideia", sintetizou o brasileiro, "é produzir algo que venha de baixo para cima".
Mas ainda ontem Cutajar penava para formar os grupos de contato encarregados de tratar de cada um dos pilares da negociação (corte de emissões, adaptação, transferência de tecnologia e financiamento). Uma fonte envolvida no processo negociador disse que está difícil chegar a um consenso entre todas as partes.
Financiamento - A questão mais espinhosa a ser incluída no texto é o financiamento de médio prazo. A Folha apurou que a proposta deve pedir um compromisso dos países desenvolvidos em custear ao menos até 2020 parte das ações de adaptação e de corte de emissões de gases-estufa a serem tomadas pelos países em desenvolvimento.
China, Brasil, Índia e África do Sul não aceitam que o documento crie critérios que limitem sua qualificação para receber ajuda. Mas ontem os EUA voltaram a afirmar, por exemplo, que não entregarão recursos aos chineses (aliás, seus maiores credores).
O texto não deve exigir dos países pobres, grandes ou pequenos, metas de cortes na emissão de gases-estufa. Já sobre os limites de emissão, não é esperada mudança em relação ao que já tem discutido.
Na avaliação de Sérgio Serra, o embaixador extraordinário do Brasil para o clima, as metas em boa parte dos casos são tímidas, mas já estão na mesa. O país defende que, se for para ter um acordo ralo, é melhor ele não ter força legal para não engessar novas negociações.
Sem os grupos de contato formados, o que correram até agora foram consultas informais. O tempo é curto. No sábado, haverá uma reunião plenária na qual o LCA deve avaliar a proposta para apresentá-la.
Os dinamarqueses teriam então um dia para rever o texto e decidir se, na terça, apresentarão ele ou sua própria proposta (uma versão modificada do documento vazado que provocou alvoroço por cobrar metas de países emergentes e restringir a contribuição financeira das nações desenvolvidas só aos países mais pobres).
No dia 16, começa a reunião de alto nível com ministros e, depois, chefes de governo e Estado. Nesse momento, as propostas terão de estar prontas.
Fonte: Folha de S.Paulo
"Estamos trabalhando para destravar a negociação. Mas o texto não existe ainda", disse à Folha Luiz Alberto Figueiredo, embaixador brasileiro que é vice-chefe do LCA, grupo que discute as ações de longo prazo -entre elas o novo acordo.
Ele redige ao lado do chefe do grupo, o maltês Michael Zammit Cutajar, uma proposta bastante aguardada, pois foi solicitada pelos demais países na cúpula, diferentemente de outros textos que circulam. Embora uma sintonia plena não exista, a versão em preparação tenta captar posições de diferentes partes em vez de contrapô-las.
"A ideia", sintetizou o brasileiro, "é produzir algo que venha de baixo para cima".
Mas ainda ontem Cutajar penava para formar os grupos de contato encarregados de tratar de cada um dos pilares da negociação (corte de emissões, adaptação, transferência de tecnologia e financiamento). Uma fonte envolvida no processo negociador disse que está difícil chegar a um consenso entre todas as partes.
Financiamento - A questão mais espinhosa a ser incluída no texto é o financiamento de médio prazo. A Folha apurou que a proposta deve pedir um compromisso dos países desenvolvidos em custear ao menos até 2020 parte das ações de adaptação e de corte de emissões de gases-estufa a serem tomadas pelos países em desenvolvimento.
China, Brasil, Índia e África do Sul não aceitam que o documento crie critérios que limitem sua qualificação para receber ajuda. Mas ontem os EUA voltaram a afirmar, por exemplo, que não entregarão recursos aos chineses (aliás, seus maiores credores).
O texto não deve exigir dos países pobres, grandes ou pequenos, metas de cortes na emissão de gases-estufa. Já sobre os limites de emissão, não é esperada mudança em relação ao que já tem discutido.
Na avaliação de Sérgio Serra, o embaixador extraordinário do Brasil para o clima, as metas em boa parte dos casos são tímidas, mas já estão na mesa. O país defende que, se for para ter um acordo ralo, é melhor ele não ter força legal para não engessar novas negociações.
Sem os grupos de contato formados, o que correram até agora foram consultas informais. O tempo é curto. No sábado, haverá uma reunião plenária na qual o LCA deve avaliar a proposta para apresentá-la.
Os dinamarqueses teriam então um dia para rever o texto e decidir se, na terça, apresentarão ele ou sua própria proposta (uma versão modificada do documento vazado que provocou alvoroço por cobrar metas de países emergentes e restringir a contribuição financeira das nações desenvolvidas só aos países mais pobres).
No dia 16, começa a reunião de alto nível com ministros e, depois, chefes de governo e Estado. Nesse momento, as propostas terão de estar prontas.
Fonte: Folha de S.Paulo
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Europeus podem oferecer até US$ 75 bi para financiamento climático
A União Europeia se reúne nesta quinta-feira (10) em Bruxelas para decidir quanto porá na mesa como oferta de financiamento para os países em desenvolvimento lidarem com a mudança climática e cortarem emissões. O número, esperadíssimo em Copenhague, pode desatar o nó mais complexo de um acordo.
Até agora não vazaram cifras, e mesmo pessoas envolvidas na discussão alegam não saber dar um parâmetro. Mas a UE, diferentemente dos EUA e do Japão, fala de financiamento até 2020, e não apenas até 2012 (o chamado "fast money").
A ONG Oxfam estima que o bloco possa contribuir com cerca de US$ 50 bilhões anuais a partir de 2013. Isso representa um terço do que os europeus estimam necessário para custear as ações nos países pobres.
A UE calcula a parcela que cabe aos governos dos países ricos entre 22 bilhões e 50 bilhões de euros (US$ 37 bilhões a US$ 75 bilhões), o que significa que o número da Oxfam a faria responsável por metade das doações se o teto da estimativa for atingido. Ainda assim, uma fonte europeia vê a cifra da ONG como viável e coerente.
Leste europeu - O principal entrave a uma proposta europeia até agora têm sido os países centro e leste-europeus, mais pobres, e que temem ver ameaçada a ajuda financeira que recebem dentro do próprio bloco.
São eles que precisarão ser persuadidos hoje --caso contrário, a discussão pode acabar protelada para a última hora, quando os chefes de Estado e de governo chegarem a Copenhague, na próxima semana.
Mas o dinheiro, seja quanto for, não será restrito a determinados países, afirmou ontem o principal negociador europeu, Artur Runge-Metzger. "Nos grandes países emergentes vivem muitas pessoas pobres, o que significa que vamos considerar auxiliá-los também", disse, citando Brasil e Índia.
Segundo Runge-Metzger, no entanto, esses países e a China não devem contar com ajuda para adaptarem-se à mudança climática, mas ele não exclui ajudá-los com dinheiro público a mitigarem suas emissões.
E insistiu na necessidade de clareza sobre os programas. "O que temos de fazer cada ano ao dar o dinheiro é ver quem precisa mais, como vai ser usada a verba e que propostas foram colocadas pelos países para apoiar as famílias vulneráveis", disse. "Mas não vamos dividir os países em caixas."
A UE não é a única a se mexer na questão do financiamento. Um grupo de quatro países (Noruega, México, Reino Unido e Austrália) propôs uma série de princípios para "fundos verdes", com base em uma proposta mexicana pela qual todas as nações contribuiriam, de acordo com seu PIB e suas emissões.
Fonte: Folha de S.Paulo
Até agora não vazaram cifras, e mesmo pessoas envolvidas na discussão alegam não saber dar um parâmetro. Mas a UE, diferentemente dos EUA e do Japão, fala de financiamento até 2020, e não apenas até 2012 (o chamado "fast money").
A ONG Oxfam estima que o bloco possa contribuir com cerca de US$ 50 bilhões anuais a partir de 2013. Isso representa um terço do que os europeus estimam necessário para custear as ações nos países pobres.
A UE calcula a parcela que cabe aos governos dos países ricos entre 22 bilhões e 50 bilhões de euros (US$ 37 bilhões a US$ 75 bilhões), o que significa que o número da Oxfam a faria responsável por metade das doações se o teto da estimativa for atingido. Ainda assim, uma fonte europeia vê a cifra da ONG como viável e coerente.
Leste europeu - O principal entrave a uma proposta europeia até agora têm sido os países centro e leste-europeus, mais pobres, e que temem ver ameaçada a ajuda financeira que recebem dentro do próprio bloco.
São eles que precisarão ser persuadidos hoje --caso contrário, a discussão pode acabar protelada para a última hora, quando os chefes de Estado e de governo chegarem a Copenhague, na próxima semana.
Mas o dinheiro, seja quanto for, não será restrito a determinados países, afirmou ontem o principal negociador europeu, Artur Runge-Metzger. "Nos grandes países emergentes vivem muitas pessoas pobres, o que significa que vamos considerar auxiliá-los também", disse, citando Brasil e Índia.
Segundo Runge-Metzger, no entanto, esses países e a China não devem contar com ajuda para adaptarem-se à mudança climática, mas ele não exclui ajudá-los com dinheiro público a mitigarem suas emissões.
E insistiu na necessidade de clareza sobre os programas. "O que temos de fazer cada ano ao dar o dinheiro é ver quem precisa mais, como vai ser usada a verba e que propostas foram colocadas pelos países para apoiar as famílias vulneráveis", disse. "Mas não vamos dividir os países em caixas."
A UE não é a única a se mexer na questão do financiamento. Um grupo de quatro países (Noruega, México, Reino Unido e Austrália) propôs uma série de princípios para "fundos verdes", com base em uma proposta mexicana pela qual todas as nações contribuiriam, de acordo com seu PIB e suas emissões.
Fonte: Folha de S.Paulo
quinta-feira, dezembro 10, 2009
Preparação para a Conferência do Clima – COP-15
De acordo com a deputada Rebecca Garcia as repercussões dos primeiros dias da Conferência começam a preocupar. “As diferenças de posicionamento entre os países ricos e os países em desenvolvimento estão muito grandes. A luta pela mitigação das mudanças climáticas tem vir de um esforço coletivo mundial, onde cada país assuma suas responsabilidades e contribua de acordo com o que emite. Nós, do Amazonas, somos grandes defensores da criação de novos modelos econômicos que envolvam a questão da floresta em pé e dos mecanismos de REDD (Redução das Emissões por Desmatamento e Degradação) e vamos brigar por isso”, comenta Rebecca.
Rebecca irá participar dos principais debates na conferência e acompanhará a comitiva do governador do Amazonas, Eduardo Braga. O governo do Amazonas e a Fundação Amazonas Sustentável (FAS) irão para Copenhagen para marcar a posição dos governadores da Amazônia e apresentar as experiências de sucesso e sustentabilidade que estão sendo desenvolvidas no estado, por exemplo, o pagamento por serviços ambientais por meio do Bolsa-Floresta.
Escute aqui a reportagem sobre as expectativas para a COP-15:
8 de dezembro de 2009
terça-feira, dezembro 08, 2009
Deputada visita o município de Rio Preto da Eva
A comitiva do Governo do Estado esteve nesse fim de semana na cidade de Rio Preto da Eva, interior do Amazonas. Ao lado do vice-governador Omar Aziz, estiveram presentes várias autoridades, entre elas a deputada federal Rebecca Garcia (PP/AM). A deputada chegou ainda pela manhã no município e esteve na sede do Centro de Educação Especial Lorena Cordeiro – Apae.
A instituição, que existe há três anos, funciona por meio de recursos da prefeitura e de parcerias, convênios e doações. No local são atendidas aproximadamente 53 pessoas, entre 9 e 49 anos. Para isso contam com o apoio de 23 funcionários. No Centro são oferecidos diversos serviços, como atendimento médico, fonoaudiologia, assistência social, psicológica e fisioterápica. Mas, de acordo com a colaboradora Goreti Barroncas, ainda é preciso ampliar o atendimento, já que a lista de espera é de cerca de 200 pessoas.
Na sede do Centro, estavam pais, mães e pacientes que foram cumprimentados um por um pela deputada, que fez questão de conversar e ouvir de perto os problemas e as palavras de apoio.
“Eu tive a oportunidade de estar aqui na inauguração e hoje retornando vejo que vocês estão cuidando bem desse local. As crianças estão sendo atendidas, tem ar-condicionado, funcionários de qualidade. Enfim, tudo que elas precisam está garantido. Eu tenho um grande carinho por Rio Preto. Esse município sempre me recebeu muito bem. E o nosso gabinete estará sempre à disposição, como uma extensão da cidade. Porque é isso que nós queremos, ajudar a população, melhorando a qualidade de vida de todos vocês”, falou Rebecca.
“Nós vamos trabalhar e deixar o município de Rio Preto um brinco. Vamos asfaltar todas as ruas e colocar meio-fio. Só de ramais são 400 km. Mas, não basta recuperar os ramais, vamos asfaltar alguns trechos que ficam intransitáveis na época das chuvas. Além disso, também estamos aqui para entregar 32 títulos definitivos e nos próximos dias serão mais 160. É esse o governo que pensa no povo. E vai onde o povo está. É isso que nos diferencia. Hoje estamos aqui para trabalhar. Apesar da crise e dos problemas. Nós não paramos e estamos trabalhando”, completou Omar Aziz.
“Primeiro nós tivemos a oportunidade de liberar recursos para o Centro Comercial, para a quadra esportiva e agora essa emenda vai para os ramais do município. Mas quero ressaltar o trabalho dos amigos da Apae que tem atendido à população com muito carinho. Estar aqui é fazer a diferença”, encerrou Rebecca.
7 de dezembro de 2009
segunda-feira, dezembro 07, 2009
Sinal de fumaça para Copenhague
A fumaça tão densa que nos dá a impressão de poder cortá-la com um terçado, não me sai da cabeça – nem dos pulmões –, no momento em que arrumo as malas para representar o Congresso Nacional em Copenhague. Muitos me indagam se, transformada do fenômeno do começo das manhãs numa companheira incômoda do dia inteiro, em Manaus, ela não vai atrapalhar a representação amazonense, amazônica, nessa conferência internacional do clima. Em minha opinião, não vai não.
Claro que um problema como esse, que atingiu em cheio as comitivas dos presidentes Lula e seu convidado francês, Nicolas Sarkozy, na visita à cidade, assusta, intriga e remete a reflexão.
Por que o coração da Floresta Amazônica está assim? Por que o Estado mais preservado da região, e, mais precisamente, a cidade banhada pelos grandes rios Negro e Amazonas, reage dessa forma?
Levo comigo a convicção de que precisamos saber mais sobre isso. Tenho lido e relido todas as cartas, dos governos locais (prefeituras), estaduais e federal, com as reivindicações brasileiras à conferência.
Sabemos, de antemão, que os esforços diplomáticos para a tomada de decisões taxativas fracassaram, mas, ainda assim, entendo que minha missão é transmitir ao máximo de participantes esse grito de alerta: nem mesmo a região mais preservada está a salvo dos danos causados pelas mudanças climáticas globais.
Levo também foto, links e textos relativos à mortandade de peixes. Entendo que a fumaça e os peixes mortos acabam nos ajudando no pleito principal do Amazonas. Precisamos tirar de Copenhague ajuda para pesquisa científica. Todos esses fenômenos precisam ser estudados e combatidos nas raízes técnicas e culturais. E os recursos para isso podem vir justamente do pagamento de royalties pela floresta em pé, que tanto almejamos.
Dizem-me que fui escolhida, entre outras coisas, por conseguir me comunicar bem em inglês e francês, mas o irônico é que, passados tantos séculos da existência do Brasil como Nação, seja novamente um sinal de fumaça, lembrando o ancestral legado indígena, que traga ao mundo o aviso primordial: ajudem-nos porque o tempo para manter o equilíbrio ecológico está acabando.
Claro que um problema como esse, que atingiu em cheio as comitivas dos presidentes Lula e seu convidado francês, Nicolas Sarkozy, na visita à cidade, assusta, intriga e remete a reflexão.
Por que o coração da Floresta Amazônica está assim? Por que o Estado mais preservado da região, e, mais precisamente, a cidade banhada pelos grandes rios Negro e Amazonas, reage dessa forma?
Levo comigo a convicção de que precisamos saber mais sobre isso. Tenho lido e relido todas as cartas, dos governos locais (prefeituras), estaduais e federal, com as reivindicações brasileiras à conferência.
Sabemos, de antemão, que os esforços diplomáticos para a tomada de decisões taxativas fracassaram, mas, ainda assim, entendo que minha missão é transmitir ao máximo de participantes esse grito de alerta: nem mesmo a região mais preservada está a salvo dos danos causados pelas mudanças climáticas globais.
Levo também foto, links e textos relativos à mortandade de peixes. Entendo que a fumaça e os peixes mortos acabam nos ajudando no pleito principal do Amazonas. Precisamos tirar de Copenhague ajuda para pesquisa científica. Todos esses fenômenos precisam ser estudados e combatidos nas raízes técnicas e culturais. E os recursos para isso podem vir justamente do pagamento de royalties pela floresta em pé, que tanto almejamos.
Dizem-me que fui escolhida, entre outras coisas, por conseguir me comunicar bem em inglês e francês, mas o irônico é que, passados tantos séculos da existência do Brasil como Nação, seja novamente um sinal de fumaça, lembrando o ancestral legado indígena, que traga ao mundo o aviso primordial: ajudem-nos porque o tempo para manter o equilíbrio ecológico está acabando.
Rebecca Garcia
Artigo publicado no jornal Diário do Amazonas










