Ameaça da China contra o PIM

Rebecca Garcia conversará com técnicos dos ministérios para impedir ameaça da China contra o PIM

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Rebecca sugere inserir projeto do Rodoanel Viário do Amazonas nas ações da nova estatal do governo federal

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Rebecca Garcia faz discurso na Câmara dos Deputados para defender o Amazonas na guerra fiscal contra São Paulo.

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19 de setembro de 2012

Rebecca Garcia conversará com técnicos dos ministérios para impedir ameaça da China contra o PIM




A deputada federal Rebecca Garcia (PP/AM) fez um discurso, hoje (19), no plenário da Câmara dos Deputados, criticando a concorrência da China, que está empenhada em colocar no mercado 25 milhões de aparelhos condicionadores de ar retidos pela crise econômica internacional, afetando diretamente o Polo Industrial de Manaus (PIM).
A parlamentar afirmou ainda que conversará com técnicos dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, da Fazenda e do Desenvolvimento Regional, para buscar aceleração as medidas de proteção da indústria nacional e em defesa da Amazônia. Rebecca já solicitou a reunião nos ministérios, mas ainda não há previsão para a data.
“Quero fazer novo pedido de socorro em nome de 20 mil empregos diretos que estão sendo perdidos no Polo Industrial de Manaus. Desta vez não se trata de guerra fiscal ou de quaisquer medidas econômicas que nos afetem. Trata-se da concorrência predatória da China, empenhada no esforço de colocar no mercado 25 milhões de aparelhos condicionadores de ar retidos pela crise econômica internacional. Como nossa burocracia está sendo lenta, o Amazonas pode sofrer mais um duro golpe na sua economia, com sério comprometimento da própria estrutura da Zona Franca”, declarou.
Ao finalizar seu discurso, a deputada falou sobre a importância da manutenção do PIM “o Brasil já tem consciência, e as diversas votações ocorridas nesta Casa mostram isso, da importância estratégica das indústrias de Manaus na defesa da Floresta Amazônica. Nenhum País do mundo deixaria de desenvolver uma região como essa e o Brasil foi sábio ao estabelecer ali o modelo vitorioso sob a responsabilidade da Suframa”, disse.

8 de maio de 2012

Zona Franca, a boia e a farinha




A Zona Franca de Manaus (ZFM) comemorou, dia 28 de fevereiro deste ano, o 45º aniversário de criação. Em 1967, o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco assinou o Decreto-Lei nº 288, com as bases de todo o modelo. Essa história, no entanto, tem nuances que passo a relatar ao leitor.

O Amazonas foi responsável pela maior parte das exportações brasileiras, ao longo do Ciclo da Borracha, tendo a produção de seus seringais papel decisivo na campanha dos Países Aliados, durante a II Guerra Mundial, e no desenvolvimento da indústria automobilística internacional. O fausto era visto nas ruas de Manaus, a Paris das Selvas, a primeira cidade brasileira a ter iluminação pública, o local onde os barões acendiam charutos em notas de US$ 100.

Veio o fim da guerra, surgiu a borracha sintética e seringais cultivados da Ásia ofereciam o produto com estabilidade, proximidade e menos doenças aos trabalhadores. O cenário de esbanjamento foi substituído, muito rapidamente, pelas ruas tomadas de mendigos, desabastecimento e colapso acelerado dos serviços públicos. Manaus voltou a ser um simples porto de lenha. O amazonense retroagiu no tempo e vivia do escambo.

Surgiu a expressão “papai trouxe o dinheiro da boia e da farinha”. O caboclo passava dias nos lagos ou nas matas, pescando ou caçando, e, quando conseguia algum excedente, além do necessário para alimentar a família, trocava por farinha – o complemento de carboidrato necessário à sobrevivência – com um vizinho.

Veio a Zona Franca de Manaus, a partir de 1968, e muitos descriam da possibilidade de que esse homem, com um modo de vida rústico, pré-capitalista, num Estado com índice de analfabetismo altíssimo e escolaridade mínima, pudesse enfrentar o desafio de manejar equipamentos de última geração. Hoje, passados 45 anos daquele momento, o caboclo amazonense superou-se e, entre outras coisas, produz motocicletas para a Moto Honda, maior indústria do setor, com mais rapidez que os operários da matriz, no Japão.

A maior conquista da Zona Franca de Manaus, porém, não estava nos planos dos seus idealizadores. O caboclo tinha todas as suas atividades voltadas para a floresta. Com o crescimento vegetativo, tendia a devastar o patrimônio florestal amazonense. As indústrias do Polo Industrial de Manaus concentraram esse homem na capital, onde hoje vivem 1,8 milhão dos 3,5 milhões de habitantes do Amazonas, promovendo a preservação de 98% da Floresta Amazônica localizada em seu território, que é a maior parte da grande Hileia, espraiada por outros estados e até países. Ou seja, a ZFM ajudou a preservar a principal floresta tropical do planeta, responsável por grande parte do equilíbrio ecológico mundial.

É indubitável, hoje, que o modelo serve ao Brasil tanto ou mais do que serve ao Amazonas. Tanto que a presidenta Dilma Rousseff enviou ao Senado Medida Provisória prorrogando os incentivos fiscais da ZFM por mais 50 anos.

Parabéns ao povo amazonense pela construção de um Pólo Industrial tão pujante, que, em 2011, atingiu o faturamento anual de US$ 45 bilhões, o recorde de todos os tempos.

ARTIGO PUBLICADO NO SITE CONGRESSO EM FOCO: http://congressoemfoco.uol.com.br/opiniao/colunistas/zona-franca-a-boia-e-a-farinha/